"Um romance sombrio a lá Woody Allen"
Direção: Woody Allen
Roteiro: Woody Allen
Lançamento: 27 de Agosto de 2015
Não é de hoje que os filmes de Woody Allen (Blue Jasmine, 2013) nos presenteia com sarcasmo, crítica social e humor ácido. Homem Irracional não foge muito desses padrões já consagrados. O filme nos leva então a questionar temas já discutidos pelo cineasta em outras obras. Mas como sempre nos conduzindo por meio complexidades sociais.
A trama se foca na vida do professor universitário de filosofia Abe Lucas (Joaguim Phoenix) que vai lecionar em uma pequena cidade nos Estados Unidos. Lá ele vai conhecer Jill Pollard (Emma Stone)aluna e fã dele. Com a chegada de Abe na cidade, Jill fica curiosa em saber como ele é pessoalmente, e busca aproximação. De tal relação entre os dois que o filme se desenrola.
Jill fica obcecada pelo professor e sua forma eloquente de filosofar e conduzir seus argumentos com maestria. Ela passa a deixar o namorado Roy(Jamie Blackley) de lado para passar mais tempo com Abe. O professor percebe o encanto da aluna e tenta se afastar.
Não tendo sucesso Abe acaba sedendo e Jill acaba conhecendo o mundo sombrio do filosofo. Abe passa por uma crise existencial, e a todo momento deprecia a vida e não vê sentido nela. Ele está totalmente decepcionado com o mundo à sua volta, graças a tragédias no passado.
"Pensadores famosos como: Immanuel Kant, Soren Kierkegaard, Martin Heidegger, Jean-Paul Sartre, Hannah Arendt e Simone de Beauvoir. Assim como o preferido de Woody Allen: Dostoiévski fazem parte do repertório de citações do professor"
Homem Irracional pode ser comparado a produtos anteriores de Allen. O cineasta parece ter compilado uma gama de auto referências neste último trabalho. Não que isso seja ruim, mas deu uma sensação de "já vi isso antes" quando apreciamos o filme.
O longa usa e abusa de recursos musicais, do Jazz incessante ao Erudito. A trilha sonora parece um personagem à parte, cutucando os personagens e as situações. Fica claro que mais uma vez a intenção do autor\diretor é causar incomodo levantando questionamentos acerca da existência humana, o social, e a moral.
Abe representa as dúvidas e incômodos do ser humano submetido a uma sociedade frustrada, alienada e fadada a dor e sofrimento. Já Jill representa a curiosidade e a escolha de fazer alguma coisa diante disso tudo.
"Jill descobre que não é tão arrojada como pensava"
Talvez as respostas encontradas por Jill e Abe não tenham sido lá das melhores. Mas o filme antes de tudo, nos remete a uma realidade urgente, em uma era de dúvidas, das "verdades" imediatas e o sofrimento psico emocional de uma sociedade falida em todos os sentidos.
Com uma visão quase niilista, para os mais viciados em Allen o final não surpreende. No entanto a produto final não decepciona, o filme pode parecer acolhedor à primeira vista, mas é um convite a indagações e complexidades que incomoda a harmonia, o "American Dream"
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