domingo, 14 de fevereiro de 2016

Homem Irracional


"Um romance sombrio a lá Woody Allen"


Direção: Woody Allen
Roteiro: Woody Allen

Lançamento: 27 de Agosto de 2015

Não é de hoje que os filmes de Woody Allen (Blue Jasmine, 2013) nos presenteia com sarcasmo, crítica social e humor ácido. Homem Irracional não foge muito desses padrões já consagrados. O filme nos leva então a questionar temas já discutidos pelo cineasta em outras obras. Mas como sempre nos conduzindo por meio complexidades sociais.

A trama se foca na vida do professor universitário de filosofia Abe Lucas (Joaguim Phoenix) que vai lecionar em uma pequena cidade nos Estados Unidos. Lá ele vai conhecer Jill Pollard (Emma Stone)aluna e fã dele. Com a chegada de Abe na cidade, Jill fica curiosa em saber como ele é pessoalmente, e busca aproximação. De tal relação entre os dois que o filme se desenrola.



"Um jogo de gato e rato?"

Jill fica obcecada pelo professor e sua forma eloquente de filosofar e conduzir seus argumentos com maestria. Ela passa a deixar o namorado Roy(Jamie Blackley) de lado para passar mais tempo com Abe. O professor percebe o encanto da aluna e tenta se afastar.

Não tendo sucesso Abe acaba sedendo e Jill acaba conhecendo o mundo sombrio do filosofo. Abe passa por uma crise existencial, e a todo momento deprecia a vida e não vê sentido nela. Ele está totalmente decepcionado com o mundo à sua volta, graças a tragédias no passado.



"Pensadores famosos como: Immanuel Kant, Soren Kierkegaard, Martin Heidegger, Jean-Paul Sartre, Hannah Arendt e Simone de Beauvoir. Assim como o preferido de Woody Allen:  Dostoiévski fazem parte do repertório de citações do professor"

Homem Irracional pode ser comparado a produtos anteriores de Allen. O cineasta parece ter compilado uma gama de auto referências neste último trabalho. Não que isso seja ruim, mas deu uma sensação de "já vi isso antes" quando apreciamos o filme.

O longa usa e abusa de recursos musicais, do Jazz incessante ao Erudito. A trilha sonora parece um personagem à parte, cutucando os personagens e as situações. Fica claro que mais uma vez a intenção do autor\diretor é causar incomodo levantando questionamentos acerca da existência humana, o social, e a moral.

Abe representa as dúvidas e incômodos do ser humano submetido a uma sociedade frustrada, alienada e fadada a dor e sofrimento. Já Jill representa a curiosidade e a escolha de fazer alguma coisa diante disso tudo.


"Jill descobre que não é tão arrojada como pensava"

Talvez as respostas encontradas por Jill e Abe não tenham sido lá das melhores. Mas o filme antes de tudo, nos remete a uma realidade urgente, em uma era de dúvidas, das "verdades" imediatas e o sofrimento psico emocional de uma sociedade falida em todos os sentidos.

Com uma visão quase niilista, para os mais viciados em Allen o final não surpreende. No entanto a produto final não decepciona, o filme pode parecer acolhedor à primeira vista, mas é um convite a indagações e complexidades que incomoda a harmonia, o "American Dream" 


Trailer

sábado, 6 de fevereiro de 2016

Spotlight Segredos Revelados



"Escândalo sobre pedofilia na Igreja Católica que  chocou o mundo, agora é reproduzido em filme"


Direção: Tom McCarthy
Roteiro: Josh Singer, TomcCarthy
Lançamento: 07 de Janeiro de 2016, TomcCarthy


Sim, Spolight poderia muito bem ser um filme de documentário, mas não é. Ele abusa e usa do suspense para contar uma história real e digamos atual de descobertas de crimes cometidos por padres da igreja católica. Então vamos a sinopse do filme:

Spotlight é um grupo de jornalistas que descobrem documentos que provam crimes sexuais cometidos por padres contra crianças em Boston. O grupo irá fazer revelações chocantes que irão abalar até mesmo os mais incrédulos. 

O time de jornalistas experts é composto por Walter Robbinson (Michel Keaton), Michael Rezendes (Mark Ruffalo) Sacha Pteiffer (Sarah McAdams) e Matt Carrol (Brian D'Ary James). O filme não dá voltas e o roteiro implacável de Josh Singer e Tom McCarthy é simples porém assertivo, abordando todos os problemas que envolvem investigar uma poderosa instituição como a igreja católica.


"O filme não deixa brechas sobre o assunto"

O inicio do filme pincela como um jornal funciona, e através de piadinhas dos jornalistas percebemos peculiaridades que envolvem trabalhar em um jornal como a Boston Globe. No entanto com a chegada de um novo editor chefe, o poderoso Marty Baron(Liev Schreiber)  promete mexer com os ânimos de seus funcionários. 

Ele se interessa por uma pauta polemica e engavetada que é a pedofilia cometida por padres em crianças da cidade. Mas Baron não quer mais uma noticia de roda-pé ele quer capa, ele quer desvendar não só um "casinho" local, ele quer saber se há padrões e quem são os perpetuadores de tal atrocidade social.

Assim é convocado Robbi/Walter Robbinson (Micheal Keaton) para liderar a Spotlight para investigar casos de pedofilia da cidade. Todos se chocam com a determinação do editor chefe judeu em querer desvelar essa cortina da pedofilia que as pessoas, inclusive, os jornalistas do filme querem tanto deixar coberta. 

A direção do filme é ágil e não deixa o telespectador em nenhuma hora entediado. A equipe Spolight se depara com a resistência de todos os lados para falar sobre o assunto. A questão é delicada e isso fica bem nítido na reação das vítimas que decidem contar abusos que aconteceram com elas mesmas em sua infância. 


Uma curiosidade do filme é que as vítimas que decidem se revelar todas eram homens adultos, mas o filme faz questão de deixar claro por A mais B que pedofilia é uma coisa  homossexualidade é outra, bom deixar isso muito bem colocado.


"É difícil dizer não a Deus"

Cada investigador tem sua forma bem distinta de investigar, e o interessante é que com isso o filme ganha uma forma multifacetada de ver a pedofilia e como ela ocorre e é acobertada. Robbi (Micheal Keaton) nos revela mais os problemas burocráticos como resistências por parte de colegas jornalistas de colaborar com o assunto (Muitos já comprados para se calarem)Sacha (Sarah McAdams) usa sua personalidade acolhedora e compreensiva para ouvir e sentir a dor dos abusados, todas as cenas com ela são de partir o coração! 

Michael Rezendes (Mark Ruffalo) fica com a visão revoltada da sociedade ao ver o silêncio de todos sem moverem um dedo para revelar a situação e ajudar de alguma forma as vítimas. Já Carrol (Brian D'Ary James) vai fundo na questão documental e revela como tudo é colocado pragmaticamente debaixo dos panos. Tanto a igreja como a justiça fazem pactos de silêncio remunerado.

No geral todos os jornalista da equipe Spotlight se revesam em todas as funções e acabam juntando os pontos até chegar no tribunal de justiça e ver que a coisa é mais escura que parece. Juízes corruptos e desvio de documentos, provas criminais são sorrateiramente escondidas. 

Existe uma verdadeira industria da pedofilia onde casos como esses são verdadeiras fontes de lucro, há busca e procura em negociações com a igreja afim de transferir aquele padre pedófilo para outra cidade ou afasta-lo por motivos de "saúde" que nada servem além de pretextos burocráticos para deixar tudo sob a grossa coberta judicial.


"Podia ser qualquer um de nós"

E como não se bastasse as vítimas na maioria das vezes não falam por vergonha, são desacreditas pelos pais quando crianças, afinal o padre é uma figura de respeito nas comunidades. Além de receberem quando tomam coragem para falar uma "merreca" do governo e uma negociata rápida do advogado afim de encerrar o caso o mais rápido possível.

Por fim deixo claro que o filme evitou palpites ou "achismos" ou teorias fajutas para culpar qualquer que seja. Todas as opiniões emitidas pelos jornalistas do filme são pautadas sob provas obtidas através da investigação. Spolight é um filme sério, honesto e intensamente emocionante. Os personagens estão bem em seus papeis, e o clima velado do filme e a frieza como os acusados tratam o assunto são de chocar. Com certeza esse filme não passa em branco no Oscar este ano, é aguardar as estatuetas douradas na certa. Fiquem com o trailer do filme e até a próxima análise.


Trailer

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Post de Estréia





É com grande prazer que estou abrindo as portas do Cinema Thriller para dividir com vocês impressões, opiniões, e criticas a respeito de thrillers psicológicos. Apesar do recorte que eu fiz de analisar apenas filmes de suspense, posteriormente devo fazer algumas exceções. Portanto conto com a participação de todos, e claro, sugestões são sempre bem vindas. Estou estreando no mundo do cinema como crítico, e é fundamental sempre aprender com vocês leitores, livres para concordar e discordar das notas e pontos de vista que eu emitirei através do blog. Sintam-se em casa, qualquer dúvida entrem contato comigo.

Email: tuliokuran@hotmail.com