sábado, 6 de fevereiro de 2016

Spotlight Segredos Revelados



"Escândalo sobre pedofilia na Igreja Católica que  chocou o mundo, agora é reproduzido em filme"


Direção: Tom McCarthy
Roteiro: Josh Singer, TomcCarthy
Lançamento: 07 de Janeiro de 2016, TomcCarthy


Sim, Spolight poderia muito bem ser um filme de documentário, mas não é. Ele abusa e usa do suspense para contar uma história real e digamos atual de descobertas de crimes cometidos por padres da igreja católica. Então vamos a sinopse do filme:

Spotlight é um grupo de jornalistas que descobrem documentos que provam crimes sexuais cometidos por padres contra crianças em Boston. O grupo irá fazer revelações chocantes que irão abalar até mesmo os mais incrédulos. 

O time de jornalistas experts é composto por Walter Robbinson (Michel Keaton), Michael Rezendes (Mark Ruffalo) Sacha Pteiffer (Sarah McAdams) e Matt Carrol (Brian D'Ary James). O filme não dá voltas e o roteiro implacável de Josh Singer e Tom McCarthy é simples porém assertivo, abordando todos os problemas que envolvem investigar uma poderosa instituição como a igreja católica.


"O filme não deixa brechas sobre o assunto"

O inicio do filme pincela como um jornal funciona, e através de piadinhas dos jornalistas percebemos peculiaridades que envolvem trabalhar em um jornal como a Boston Globe. No entanto com a chegada de um novo editor chefe, o poderoso Marty Baron(Liev Schreiber)  promete mexer com os ânimos de seus funcionários. 

Ele se interessa por uma pauta polemica e engavetada que é a pedofilia cometida por padres em crianças da cidade. Mas Baron não quer mais uma noticia de roda-pé ele quer capa, ele quer desvendar não só um "casinho" local, ele quer saber se há padrões e quem são os perpetuadores de tal atrocidade social.

Assim é convocado Robbi/Walter Robbinson (Micheal Keaton) para liderar a Spotlight para investigar casos de pedofilia da cidade. Todos se chocam com a determinação do editor chefe judeu em querer desvelar essa cortina da pedofilia que as pessoas, inclusive, os jornalistas do filme querem tanto deixar coberta. 

A direção do filme é ágil e não deixa o telespectador em nenhuma hora entediado. A equipe Spolight se depara com a resistência de todos os lados para falar sobre o assunto. A questão é delicada e isso fica bem nítido na reação das vítimas que decidem contar abusos que aconteceram com elas mesmas em sua infância. 


Uma curiosidade do filme é que as vítimas que decidem se revelar todas eram homens adultos, mas o filme faz questão de deixar claro por A mais B que pedofilia é uma coisa  homossexualidade é outra, bom deixar isso muito bem colocado.


"É difícil dizer não a Deus"

Cada investigador tem sua forma bem distinta de investigar, e o interessante é que com isso o filme ganha uma forma multifacetada de ver a pedofilia e como ela ocorre e é acobertada. Robbi (Micheal Keaton) nos revela mais os problemas burocráticos como resistências por parte de colegas jornalistas de colaborar com o assunto (Muitos já comprados para se calarem)Sacha (Sarah McAdams) usa sua personalidade acolhedora e compreensiva para ouvir e sentir a dor dos abusados, todas as cenas com ela são de partir o coração! 

Michael Rezendes (Mark Ruffalo) fica com a visão revoltada da sociedade ao ver o silêncio de todos sem moverem um dedo para revelar a situação e ajudar de alguma forma as vítimas. Já Carrol (Brian D'Ary James) vai fundo na questão documental e revela como tudo é colocado pragmaticamente debaixo dos panos. Tanto a igreja como a justiça fazem pactos de silêncio remunerado.

No geral todos os jornalista da equipe Spotlight se revesam em todas as funções e acabam juntando os pontos até chegar no tribunal de justiça e ver que a coisa é mais escura que parece. Juízes corruptos e desvio de documentos, provas criminais são sorrateiramente escondidas. 

Existe uma verdadeira industria da pedofilia onde casos como esses são verdadeiras fontes de lucro, há busca e procura em negociações com a igreja afim de transferir aquele padre pedófilo para outra cidade ou afasta-lo por motivos de "saúde" que nada servem além de pretextos burocráticos para deixar tudo sob a grossa coberta judicial.


"Podia ser qualquer um de nós"

E como não se bastasse as vítimas na maioria das vezes não falam por vergonha, são desacreditas pelos pais quando crianças, afinal o padre é uma figura de respeito nas comunidades. Além de receberem quando tomam coragem para falar uma "merreca" do governo e uma negociata rápida do advogado afim de encerrar o caso o mais rápido possível.

Por fim deixo claro que o filme evitou palpites ou "achismos" ou teorias fajutas para culpar qualquer que seja. Todas as opiniões emitidas pelos jornalistas do filme são pautadas sob provas obtidas através da investigação. Spolight é um filme sério, honesto e intensamente emocionante. Os personagens estão bem em seus papeis, e o clima velado do filme e a frieza como os acusados tratam o assunto são de chocar. Com certeza esse filme não passa em branco no Oscar este ano, é aguardar as estatuetas douradas na certa. Fiquem com o trailer do filme e até a próxima análise.


Trailer